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As origens do Frevo no Rio

  • 6 de jan. de 2017
  • 2 min de leitura

Os historiadores nos ajudam a recordar as origens do Frevo no Rio. Uma breve história...

Os estudiosos do FREVO pernambucano são unânimes em concordar que as origens do passo (nome atribuído às figurações improvisadas pelos dançarinos ao som daquela música) está na presença de arruaceiros e valentões chamados de capoeiras que saíram gingando e aplicando rasteiras durante os desfiles das duas mais famosas bandas militares do Recife de fins do século XIX: a do 4º Batalhão de Artilharia (chamada “do Quarto”), e Guarda Nacional, conhecida por Espanha, por ter como mestre o músico espanhol Pedro Garrido.

(Trecho retirado do livro “História social da música popular brasileira” de José Ramos Tinhorão (1990)

Os carnavais do Norte e Nordeste sempre tiveram características próprias. Aliás, a bem da verdade deve-se dizer que o Brasil tem várias formas de brincar o carnaval, atendendo à nossa diversidade geográfica e cultural, o que acentua ainda mais a riqueza musical do país. Como o Rio de Janeiro foi sempre um foco de irradiação de tudo o que acontece no carnaval, nada mais normal que algumas daquelas expressões regionais viessem aportar aqui. Ainda mais que, com isso, contemplava-se aos naturais de outros estados que para cá vieram.

O primeiro dos ritmos nordestinos que entrou no Rio foi o FREVO pernambucano, e isto aconteceu em 1935. Segundo o historiador Pereira da Costa, este ritmo, que é uma alteração do polca-marcha, apareceu em Recife e atribui-se ao capitão José Lourenço da Silva (Zuzinha), ensaiador das bandas da Brigada Militar de Pernambuco, a divisória entre o FREVO e a polca.

Nasceu como dança de rua, o povaréu acompanhando as bandas de músicas, ondulando pelas avenidas, com saltos e meneios imprevisíveis, fervendo. E foi dessa imagem da fervura, que o povo pronunciava "frever", que, de acordo com Luiz da Câmara Cascudo, criou-se a palavra FREVO.

O surgimento do FREVO no Rio foi resultado da saudade dos pernambucanos Vitorino Rios, Pedro Guilhermino dos Santos, Luiz Alves - cognominado O Rei do Frevo -, Henrique Bonfim e Romeu de Paula. Eles fundaram o Clube dos Vassourinhas, homônimo de um dos mais famosos de Recife, na Rua Jogo da Bola, no bairro da Saúde. Nas décadas de 30 e 40, os frevos eram a expressão máxima do carnaval nordestino - e ainda hoje são -, tanto que havia sucursais em várias cidades. Pode-se dizer, talvez, que era uma espécie de franquia, porque a qualidade tinha que ser mantida.

Houve uma época em que existiam cerca de 10 grupos de FREVO, a maioria sediada nas Zonas Portuária e Norte da cidade. Bola de Ouro, Batutas da Cidade Maravilhosa, Pás Douradas, Prato Misterioso, Clube dos Lenhadores, Mixto Toureiros, Mixto Pás Dourados, Gaviões do Mar, mantiveram durante muitos anos o vigor do FREVO no carnaval carioca. Foi até instituído o Dia dos Frevos, sábado de carnaval, quando desfilavam pela Avenida Rio Branco com sua música vibrante e seu passo, conjugação de figuras coreográficas que tem o nome de chã-de-barriguinha, tesoura, sacarrolha e dobradiça. Depois passaram para o domingo, abrindo o desfile das escolas de samba, e ultimamente desfilavam na terça-feira gorda.

Trecho retirado do livro “100 anos de carnaval no Rio de Janeiro” de Haroldo Costa (2001).

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